Rezos do Vento e do Barro — Um Livro Ritual Entre Lume e Névoa é um livro experimental que emerge da práxis do Activismo Eco-Mítico (podes ouvir o episódio de podcast aqui, ou ler o ensaio), entendido não como estratégia de mobilização simbólica, mas como prática relacional de escuta, presença e implicação num mundo em colapso. Situado entre contos, rezos, fabulações eco-mitológicas e gestos rituais, o livro recusa a lógica da solução, da esperança redentora e da pedagogia moralizante, propondo uma ecologia do luto, da decomposição e do encantamento não domesticado. Enraizado em cosmologias animistas, no folclore ibérico e em epistemologias relacionais, este trabalho convoca o mito não como metáfora psicológica, mas como inteligência ecológica viva, inscrita no corpo, no território e nas suas fraturas históricas.
Em consonância com o Manifesto do Activismo Eco-Mítico, Rezos do Vento e do Barro afirma-se como uma prática explicitamente anti-extrativista, anti-purista e anti-fascista, que rejeita tanto a abstração académica como o activismo performativo e acelerado. Por narrativas que se organizam em torno dos cestos do fumo, da água, da cinza, do barro e do vento, o livro propõe uma pedagogia sensível do entrelaçado, em que sentir, chorar, escutar e desaprender são actos políticos e ecológicos.
Este volume contribui para os debates nas humanidades ambientais, nas pedagogias críticas, na ecopsicologia e na investigação-criação, convidando a permanecer com o colapso sem o corrigir, a honrar o luto colectivo e a cultivar vínculos lentos, porosos e localizados como forma de resistência e regeneração ética.
Rezos do Vento e do Barro
Edições Corpo-Lugar
ISBN: 9798901381434
Entre lume e névoa, as palavras voltam a ter corpo.
Aqui, o ego é barro que respira, o colonizado é raiz que recorda, o pensar é vento que desaprende a mandar.
Cada conto reza o mundo com a voz da terra viva, onde o humano moderno se desfaz em húmus e o mito volta a ensinar o real.
» Lê as primeiras páginas do livro
Rezos do Vento e do Barro é um livro ritual onde Sofia Batalha devolve à linguagem o seu fôlego terrestre.
Entre contos, feitiços e rezas, termos como colonizado, ego, cura ou identidade são reencantados como forças vivas do chão: o ego torna-se barro húmido, o colonizado transforma-se em micélio de memória, a cura aprende com o apodrecimento, e o pensamento volta a ser vento.
Nestas páginas, o mito e a psique encontram-se num mesmo corpo, tecendo uma poética da descolonização interior e da escuta da Terra.
É um livro de ecos, um convite a desaprender o moderno e a lembrar o vivo.
Os Contos são:
Os Cestos
Dois Sopros
Pele De Luar & Pele De Barro
Tecer Com Fios Vivos
O Colo Sempre Foi Verbo
Contos Migrantes
O Mundo Cansado
O Lamento Da Terra Viva
Os Que-Sabem
A Cidade Da Pressa E O Campo Do Regresso
Temos De Ir Para Dentro
A Fome Que Anda De Noite
Os Sem-Sombra E A Gente De Plástico
Os Monstros E As Sete Chaves
O Manto Das Certezas
A Mulher Da Saudade Que Dói
A Lenda Da Fonte Que Respirava
As Filhas Das Ursa
A Torre Que Se Fez Terra
Fiadeiras Da Serra
O Feitiço Dos Que Queriam Fugir Da Sombra
Pele Que Arde, Volta E Acalma
A Mulher Que Aprendeu A Andar Descalça
As Capuchas Do Vale
O Povo Que Quis Resolver O Mundo E O Mundo Riu-Se
A Aldeia Que Aprendeu A Chorar Em Conjunto
A Lenda Da Mulher Que Via Demais
O Fim Da Velha Terra
O Povo Desatado E Deslembrado
Apodre-Ser
A Mulher Que Aprendeu A Andar No Emaranhado
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Activismo Afectivo e Mítico. Paisagens internas e externas, narrativas ecológicas, simbióticas, eco-mitologia, ecopsicologia, ecofeminismo, ecoespiritualidade, arte, e escrita.
{Contexto}
⚠️ Lembro que todas as palavras e conceitos tecidos no meu trabalho nascem através da minha vida, da naturalmente tendenciosa e sempre limitada percepção das coisas, não assumindo que carreguem qualquer verdade absoluta. Escrevo a partir de um contexto de baixa intensidade no norte global, em consciência e responsabilização pelas lutas interseccionais de ecocídio e genocídio da modernidade, deslaçando o capitalismo-heteronormativo-global-colonial um dia de cada vez, mas ainda assim usando as suas ferramentas.
⚠️ Com a consciência que este projecto assenta numa plataforma que, pela sua natureza, escraviza e aniquila também ecossistemas inteiros, as suas populações humanas e não-humanas na constante, massiva e violenta, extração de metais para baterias e tecnologia. Com o enorme consumo energético de cada byte armazenado algures, nunca numa ilusória nuvem, mas em data-centers físicos, com pegada ecológica devastadora. Apesar das contra-narrativas hegemónicas que acolhe, o projecto expressa-se através destes suportes que assentam e perpetuam sistemas de opressão e violência.
⚠️ Apesar do saber ser sempre colectivo, agradeço que sempre que citarem palavras ou conceitos do meu trabalho refiram a fonte, para honrar as muitas horas de investigação e prática que geram estes textos disponíveis a todos. Como investigadora independente, recordo que não tenho afiliações ou bolsas institucionais, pelo que todo o investimento é apenas sustentado pelos meus muito limitados recursos pessoais.


